Nas noites de cíclopes
Filhos de Gaya
Te possuo em turbilhões do centro de tudo
E é como andar descalço
No areião de minha aldeia mãe
Poesia, Prosa e Sensibilidade por umaTecelã das Letras
Nas noites de cíclopes
Filhos de Gaya
Te possuo em turbilhões do centro de tudo
E é como andar descalço
No areião de minha aldeia mãe
Hoje, já de dia, eu tive um sonho tão real.
Te encontrei entre desconhecidos, mas te reconheci e já sabíamos de nosso amor. Porém, apos muitos anos de sumiço, tu ja tinhas outra vida, outro amor, talvez. Eu te amava tanto e me perguntava; será se seu amor já morreu? Será se ainda me ama e sabe que sou sua mulher? Não ousava perguntar e nossas dúvidas eram conversadas em uma linguagem mental. Eu sabia que tu não ias voltar comigo, para meu mundo, nosso mundo. E após um tempo de convivência era necessário que eu voltasse para o meu mundo, que no sonho eu não sabia onde era, só sabia que não era alí. Alí era o mundo que voce estava desde quando fugiu de nós.
Levantei-me e te convidei na nossa linguagem sem palavras, dizendo que era nossa última vez juntos. Fui saindo e você me seguiu em silêncio, caminhando a meu lado. Andamos um tempo assim, lado a lado, e depois eu coloquei a mão no seu braço, você deixo, dobrando levemente o braço, como sempre fazíamos ao andar juntos. Depois teu braço caiu um pouco e eu peguei sua mão, com receio de que não correspondesses. Mas vc segurou minha mão e seguimos. Aquele segurar minha mão me inundou com uma felicidade tão grande! Exultante, eu pensei; êle me ama! Nunca me esqueceu, e agora somos felizes de nôvo. Encontramo-nos!
Acordei cheia de saudade e chorei...
Lu Mota
Birigui 11/01/2021
Se o porto não cabe o teu barco, se o ancoradouro não consegue te manter as condições mínimas necessárias para ter a segurança do abarcar, saia… vá procurar outro porto, outro cais… e vá sem culpa. Nem todo o porto é compatível com o tamanho de algumas embarcações
Falta a tua fotografia no porta retrato
E o teu lugar vazio na mesa transborda de tantas faltas
Na casa toda o teu riso ecoa
Vazio de ti, vazio de mim
E de tudo o que ainda é nosso
O silêncio preenche tudo e se derrama
Em todos os átomos do meu corpo
Repleto apenas de saudade
Ó estupidez
Que sai das ruas
Tripudia de dores alheias
Brinca de festejar
Sem saber o quê
Sem saber a quem
Só a estupidez
A ignorância
A insensibilidade
O caos
Ó estúpidos!!!
Que se amontoam
Que se aglomeram
E festejam o vazio
Que chegara sobre vós
Que se deitará contigo
Em noites vazias
Estúpidos!
Não respeitam a dor
As partidas!
O luto
As covas frias
És tu
Tu mesmo, estúpido!
Teu desrespeito contamina
Tuas saídas espalham mortes
Tuas festas são funestas
Tua música alta são ais
Continue, estúpido!
Continue sem proteção
Para ti e para os outros
Tripudie sobre dores
Dance sobre cadáveres
Banhe-se nas lágrimas dos enlutados
E depois, sozinho ou na cova fria
Tu dirás: como fui estúpido!
Sim, és estúpido!
Lu Mota
Acidez dolorida*
Benditas são as palavras que impedemque a distancia cresça.Que não permitem que corações silenciem e bocas fiquem mudas.São benditas as palavras que dissipam equívocos e quebram o gelo da espera pelo chamado do outro.Palavras que me ascendem como um interruptor sem uso, esquecido em um cómodo desabitado da casa solitária.Bendita melodia das palavras que me inauguram quando me sinto um estabelecimento falido.
Lu Mota
Birigui 04 de fevereiro de 2016